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    Inflação, Evergrande, energia: relembre as crises da economia global em 2021

    Apesar da expectativa de recuperação da economia mundial, ano foi marcado por crises ligadas em especial à escassez

    Pexels/Monstera/Arte/CNN

    João Pedro Malardo CNN Brasil Business

    em São Paulo

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    No final de 2020, a expectativa mundial era que o ano de 2021 fosse de retomada da economia, com o avanço da vacinação contra a Covid-19. Mas o cenário não saiu como o previsto. O ano contou com uma série de crises, que afetaram múltiplos setores das economias do Brasil e do mundo.

    A maioria delas está ligada a uma palavra: escassez. A queda na produção de uma série de produtos na pandemia encontrou uma demanda intensa conforme as economias reabriram. O resultado foi um descompasso que elevou preços e levou à falta de alguns produtos.

    A consequência envolve outra palavra bastante usada em 2021: inflação. A alta dos preços foi um fenômeno global neste ano, reduzindo o poder de compra da população e dificultando a retomada da economia.

    Com a expectativa de que o cenário de escassez e de descompasso entre oferta e demanda continue ao menos por uma parte de 2022, a inflação global deve persistir ano que vem, assim como a perspectiva de alta de juros, desacelerando a economia internacional.

    O CNN Brasil Business reuniu as principais crises que a economia mundial enfrentou em 2021, que foram desde as crises energéticas em países como China e Brasil até os efeitos da falta de chips, com falta de produtos eletrônicos nos Estados Unidos. Confira:

    Energia

    Três grandes economias mundiais passaram por crises energéticas praticamente ao mesmo tempo em 2021. Brasil, China e Europa tiveram que lidar com uma alta nos preços da energia, o que reverberou tanto para os consumidores quanto para produtores e afetou a economia global.

    No caso do Brasil, a crise energética está ligada à pior seca em mais de 90 anos, que atingiu em especial as regiões Sudeste e Centro-Oeste, que concentram as principais usinas hidrelétricas do país.

    A matriz elétrica brasileira é bastante dependente das hidrelétricas, e o baixo nível nos reservatórios exigiu a busca por alternativas de geração de energia para evitar apagões. Apesar do crescimento de fontes renováveis, em especial solar e eólica, a grande resposta foi um aumento do uso das usinas termelétricas. O funcionamento delas, porém, é mais caro, e as contas de luz subiram para custear esse uso.

    Já na China, a crise energética tem ligação com o meio ambiente, mas não diretamente. O carvão ainda é a principal fonte de energia do país, responsável por quase 60% da geração. O governo chinês decidiu, porém, intensificar os esforços para reduzir emissões de gases poluentes e, portanto, conter o uso do carvão.

    Minas foram fechadas e cotas de exportação e uso do minério foram reduzidas. O problema é que o país não conseguiu suprir toda a demanda de energia apenas com fontes renováveis. A China chegou a passar por apagões em algumas regiões, até que o governo permitiu uma retomada do uso do carvão. Ao mesmo tempo, aumentou a compra do gás natural para gerar energia.

    E a medida está ligada aos problemas energéticos na Europa. No continente, o gás é usado não apenas para gerar energia, mas também para aquecimento. A região também passava por uma reabertura, e a demanda pelo gás subiu.

    Entretanto, além da demanda alta da China, os níveis de fornecimento da Rússia, responsável por 40% do gás consumido no continente, caíram, por razões políticas, segundo alguns países.

    Combinado com uma produção menor dos parques eólicos europeus, os preços do gás dispararam.

    Os reflexos nos três casos envolvem uma alta na conta de luz, afetando as famílias, e também nos custos de produção. A China, por exemplo, registrou em outubro a maior inflação ao produtor em quase 25 anos, e o Brasil também está com níveis inflacionários elevados.

    Petróleo

    Ainda falando em energia, o petróleo foi uma fonte de dor de cabeça para diversos países no ano. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, a Opep+, reduziu a produção da commodity em 2020 devido à pandemia, com o barril chegando à casa dos US$ 40.

    Em 2021, com a retomada, esperava-se que a organização retomasse os níveis de produção pré-pandemia, mas isso não ocorreu. Com a demanda maior que a oferta, os preços dispararam, chegando quase a US$ 90 o barril. No ano, a alta foi de 60%.

    A principal consequência para os países é nos preços dos combustíveis, derivados do petróleo. Os preços dispararam ao redor do mundo e, em alguns casos, outros fatores pioraram a situação.

    No Brasil, o dólar valorizado com incertezas políticas e fiscais aumentou ainda mais a alta dos combustíveis, já que o petróleo é cotado na moeda norte-americana. Essa elevação piorou o cenário inflacionário, ainda mais pela dependência no país do transporte rodoviário.

    Já no Reino Unido, a falta de caminhoneiros – consequência da saída da União Europeia e da pandemia – levou à falta de combustíveis em alguns postos, encarecendo ainda mais o produto.

    Países dependentes do petróleo, caso dos Estados Unidos, Japão, China e Índia tentaram se unir para pressionar a Opep+ a aumentar a oferta da commodity e reduzir preços. A principal medida foi a liberação de suas reservas estratégicas da commodity. A tentativa, porém, falhou. A Opep+ manteve sua projeção de retomar a produção gradualmente apenas em 2022.

    Evergrande

    O setor imobiliário da China é responsável por cerca de 1/3 do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Há anos analistas apontam para a possibilidade de bolha no setor, com preços altos e uma oferta superior à demanda, e que o estouro dela poderia gerar uma crise econômica global nos níveis da de 2008.

    E em 2021, muitos acharam que essa previsão poderia se concretizar. Maior empresa do setor, a Evergrande está enfrentado problemas para pagar os mais de US$ 300 bilhões em passivos de dívidas, com potencial para um calote e falência da empresa por falta de recursos.

    O governo chinês restringiu o acesso das incorporadoras a crédito neste ano, alegando que elas teriam um caráter excessivamente especulativo. Mas isso dificultou a capacidade da Evergrande de pagar dívidas e fechar suas contas.

    Conforme a empresa comunicou a situação ao mercado, as ações da Evergrande, de outras incorporadoras chinesas e das bolsas de diversos países tombaram com o temor de uma nova crise global.

    Desde então, a Evergrande tem sofrido uma intervenção estatal para orientar uma reestruturação, negociando novos prazos para pagamentos de dívidas. Para especialistas, a situação do setor –  mesmo com empresas menores fechando – não deve se espalhar globalmente, como em 2008 com a bolha imobiliária dos Estados Unidos, e a perspectiva ajudou a acalmar os investidores.

    Mesmo assim, o cenário prejudicou o setor imobiliário chinês, e os efeitos envolvem uma desaceleração da economia da China, prevista para 2021 e 2022, até que haja uma recuperação total.

    Chips

    A Ásia é, atualmente, o principal produtor de chips para semicondutores, equipamentos usados na fabricação de diversos produtos eletrônicos, desde carros até smartphones. Entretanto, as fábricas do continente precisaram fechar temporariamente devido à pandemia e alguns fatores climáticos.

    A queda na produção começou em 2020, mas se estendeu em 2021, já que alguns países do continente possuem políticas de lockdown mais rígidas. Ao mesmo tempo, a demanda por eletrônicos aumentou tanto durante a pandemia quanto em meio à reabertura.

    O cenário criado, portanto, foi de uma escassez de chips. A falta fez com que diversas empresas suspendessem temporariamente a produção, caso de algumas montadoras no Brasil.

    Ao mesmo tempo, a produção menor levou a uma oferta reduzida de produtos, e os preços subiram. A previsão de fabricantes de chips, montadores e produtoras de eletrônicos é que a situação só se regularize em 2022, quando a produção deve normalizar na Ásia e os investimentos em novas fábricas mostrarão seus primeiros resultados.

    Ever Given e contêineres

    O transporte marítimo é essencial para o comércio global, sendo responsável pelo transporte de uma série de produtos. O Canal de Suez, localizado no Egito, facilita a navegação entre Europa e Ásia, e por ele passam 12% do comércio mundial.

    Em março deste ano, ele ficou paralisado por uma semana, quando o navio Ever Given encalhou no canal e impossibilitou a passagem de outras embarcações. O período pode parecer pequeno, mas atrasou a entrega de uma série de produtos, desestabilizou cadeias de transporte e afetou o planejamento logístico de uma série de setores.

    Nesse sentido, alguns especialistas apontam que o setor de transporte marítimo não se recuperou por completo, e o preço dos fretes segue alto, mesmo que menor em relação à alta de março.

    Outro problema para o setor é o preço dos contêineres. Essenciais para o transporte marítimo, o problema não está bem na produção menor, mas sim na distribuição. As restrições de circulação deixaram muitos contêineres parados em portos de alguns países, distantes dos de outros países com demanda para transporte.

    Esse desequilíbrio ocorreu exatamente quando as economias de diversos países reabriram, assim como as relações comerciais. Com a escassez exatamente nas áreas com demanda maior, os preços de aluguel de contêiner dispararam, assim como os fretes de transporte marítimo, encarecendo tanto importações quanto exportações. A expectativa é que o setor consiga se reorganizar e redistribuir os contêineres em 2022.

    Novas variantes

    Mesmo sendo uma crise sanitária, os efeitos da pandemia de Covid-19 englobam a economia. A realização de lockdowns, necessários para evitar a disseminação do vírus e o aumento de mortes e casos, impacta a atividade econômica e a produção.

    A vacinação, intensificada em 2021, permitiu uma reabertura em diversos países, mas notícias sobre novas variantes, inicialmente com potencial desconhecido, acabam trazendo instabilidade e incerteza para os mercados.

    As primeiras notícias sobre as variantes Delta e Ômicron, por exemplo, levaram à queda das bolsas mundiais, com temores de necessidade de novos fechamentos. Segundo cientistas, o avanço da vacinação globalmente é essencial para reduzir a chance de novas variantes surgirem, mas, até lá, novidades ligadas à pandemia ainda devem mexer com os mercados e economias.

    Inflação

    Juntas, todas essas crises geram uma nova, a da inflação global. A última projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI), de outubro, estima que a maioria dos países do G20, as 20 maiores economias do mundo, terminarão o ano com uma inflação maior do que a de 2019, antes da pandemia.

    O quadro inflacionário envolve uma corrosão do poder de compra da população, e dificulta a retomada das economias. A estratégia mais comum de combate à inflação é elevar a taxa de juros do país, algo que já começou a ser feito pela maioria dos países emergentes, como o Brasil, e por alguns desenvolvidos, com outros já prevendo altas em 2022.

    Porém, o controle que a taxa de juros pode fazer da inflação envolve desacelerar a atividade econômica e o consumo da população. Com isso, a combinação de inflação e juros altos deve piorar ainda mais o cenário econômico para os países no ano que vem.

    Em geral, a perspectiva dos analistas é que a maioria das causas de crises em 2021 devem se solucionar em 2022. Muitos dos países que foram afetados economicamente pela pandemia também devem terminar o ano com crescimento em seus PIBs, segundo o FMI, mostrando que os problemas não foram suficientes para frear a retomada.

    Entretanto, ainda não se sabe quando todos os problemas em cadeias de suprimento serão resolvidos, ou se novas crises podem surgir por fatores climáticos ou por novas variantes do coronavírus, e até novas pandemias. Com isso, o cenário para o ano que vem ainda traz incertezas, e desafios que a economia mundial precisará enfrentar.

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