Polônia teme “grande incidente” com imigrantes de Belarus rumo à fronteira

União Europeia acusa país controlado por Alexander Lukashenko de "forçar" imigrantes a entrarem no bloco para causar instabilidade na região

Reuters

Matthias WilliamsJoanna Plucinskada Reuters

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As autoridades polonesas acusaram Belarus de tentar provocar um grande confronto na segunda-feira (8), quando imagens nas redes sociais mostraram centenas de imigrantes caminhando em direção à fronteira polonesa.

Em um vídeo, compartilhado pelo blog de Belarus NEXTA, imigrantes carregando mochilas e vestindo roupas de inverno foram vistos caminhando na beira de uma rodovia.

Outros vídeos mostraram grandes grupos de imigrantes sentados à beira da estrada e sendo escoltados por homens armados vestidos de cáqui.

“Belarus quer causar um grande incidente, de preferência com tiros disparados e vítimas: de acordo com relatos da mídia, eles estão preparando uma grande provocação perto de Kuznica Bialostocka, de que haverá uma tentativa de travessia em massa da fronteira”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores, Piotr Wawrzyk, a uma rádio pública polonesa.

Um vice-ministro do Interior, Maciej Wasik, tuitou que “as autoridades polonesas estão prontas para qualquer cenário”.

A União Europeia acusou Belarus de encorajar milhares de migrantes do Oriente Médio e da África a entrar em países do bloco via Belarus, como uma forma de guerra híbrida em vingança pelas sanções ocidentais contra Minsk por abusos dos direitos humanos.

O governo do presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, negou repetidamente a fabricação de uma crise de imigrantes, culpando o Ocidente pelas travessias e pelo tratamento dispensado aos migrantes na fronteira.

O comitê estadual de fronteira de Belarus emitiu um comunicado confirmando que um grande grupo de refugiados estava se movendo ao longo da rodovia para a fronteira com a Polônia, e dizendo que Varsóvia estava tomando uma “atitude desumana”.

A UE, os Estados Unidos e o Reino Unido impuseram sanções a Belarus depois que Lukashenko desencadeou uma violenta repressão a protestos em massa após uma eleição contestada no ano passado.

As instituições de caridade dizem que os migrantes enfrentam condições extremas enquanto tentam cruzar a fronteira de Belarus, enfrentando um clima gelado e falta de comida, água e atendimento médico.

As autoridades polonesas dizem que pelo menos sete imigrantes mortos foram encontrados no lado polonês da fronteira, com relatos não verificados de mais mortes em Belarus.

Grupos humanitários acusam os nacionalistas governantes da Polônia de violar o direito internacional de asilo ao empurrar os migrantes de volta para Belarus em vez de aceitar seus pedidos de proteção. A Polônia diz que suas ações são legais.

O primeiro-ministro da Polônia, Mateusz Morawiecki, disse no Facebook que “a fronteira polonesa não é apenas uma linha no mapa. A fronteira é sagrada – sangue polonês foi derramado por ela!”.

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